O elo mais fraco
The Economist 2 de setembro de 2011
Quente, no alto da Sierra Madre, a cidade de Saltillo fica muito longe de Wall Street. Bodes empalhados olham sem piscar para os clientes da vaquera na rua principal, a loja de roupas de caubói onde os trabalhadores das fábricas de carros gastam seus pesos em botas de pele de cobra e chapéus Stetson de 100 dólares.
Ternos risca-de-giz e gravatas de seda são superados por camisas xadrez e fivelas de prata para cinturões. As caminhonetes são mais valorizadas que Porsches.
A crise financeira de 2008 começou nos pregões de Manhattan, mas os maiores abalos foram sentidos no deserto ao sul do Rio Grande. O México sofreu a pior recessão de todos os países das Américas, com exceção de alguns do Caribe.
Sua economia encolheu 6,1%, em 2009. Entre o terceiro trimestre de 2008 e o segundo de 2009, 700 mil empregos foram eliminados, 260 mil deles em fábricas. A queda foi mais profunda no norte próspero: o mais atingido foi o estado fronteiriço de Coahuila. Sua capital, Saltillo, havia enriquecido exportando para os Estados Unidos. A produção do estado caiu 12,3%, em 2009, enquanto as encomendas secaram.
A recessão transformou uma década razoável, para a economia mexicana, em uma terrível. Nos dez anos que antecederam 2010, a renda per capita cresceu 0,6% ao ano, um dos índices mais baixos do mundo. No início dos anos 2000, o México ostentava a maior economia da América Latina, medida pelas taxas de câmbio de mercado, mas logo foi superado pelo Brasil, cujo PIB hoje é duas vezes maior e continua crescendo, ajudado pelo real em ascensão.
Logo o Brasil assumirá a liderança em produção de petróleo, que o México permitiu que diminuísse. Enquanto os brasileiros constroem estádios para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, os mexicanos, que em 2010 celebraram o bicentenário de sua independência da Espanha, estão construindo monumentos ao passado (e concluindo-os com atraso).
Mas a economia mexicana tem grande potencial. Graças ao Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, em inglês) e uma série de acordos bilaterais, ele negocia mais que a Argentina e o Brasil juntos, e mais por pessoa que a China. No ano passado fez negócios de 400 bilhões de dólares com os EUA, mais que qualquer outro país, exceto Canadá e China.
O índice de investimento, de mais de um quinto do PIB, está bem à frente do brasileiro. A renda per capita escorregou para abaixo da brasileira em 2009, mas somente por causa do surto do real e da fraqueza do peso. Depois de contabilizar o poder aquisitivo, os mexicanos ainda estão melhor que os brasileiros.*
OBS: DIVERSIFICAR NOSSAS EXPORTAÇÕES, NOSSOS CLIENTES, NOSSO RELACIONAMENTO COM A ÁFRICA, COM A ASIA, FORAM MEDIDAS ADOTADAS PELO GOVERNO BRASILEIRO DE LULA E AGORA SEGUIDO POR DILMA. UM PAÍS, NÃO PODE FICAR DEPENDENTE DE OUTRO.
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